Núcleo de Gestalt Terapia Integrada
 

Realidade ou fantasia?

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Por Silvia Tereza B. Pieroni Pereira, gestalt-terapeuta (CRP: 06/5915-4)

A Gestalt-terapia pode ajudar você a parar de fantasiar e aprender a lidar com o que é real
Na função de gestalt-terapeuta ouço inúmeros relatos sobre as questões aflitivas de meus clientes. Os temas são os mais diversos e seus contextos únicos, como a história de vida de cada um. Porém, um fato comum me chama atenção: a intensidade com que os pensamentos oscilam entre fantasia e realidade. Na maioria das vezes, entretanto, a fantasia prevalece, impedindo a pessoa de vislumbrar a solução para a situação real. Nestes casos, costumo dizer aos clientes que eles precisariam de muitos contêineres para armazenar todos os pensamentos que vem à mente.
Conflitos no trabalho, nos relacionamentos afetivos, dúvidas sobre como agir em determinadas situações, muitas vezes de difícil solução, inundam a consciência criando expectativas catastróficas, causando muita ansiedade, insegurança e fragilidade emocional. Segundo os terapeutas gestálticos Erving e Miriam Polster, “a fantasia é uma força expansiva na vida de uma pessoa, ela alcança e se estende além das pessoas, do ambiente ou do acontecimento imediato que de outro modo poderiam restringi-la. Algumas vezes essas extensões podem ser pueris ou obsessivas, como em muitos dos devaneios, mas algumas vezes essas extensões podem reunir tanta força e agudeza que acabam por atingir uma presença mais intensa do que algumas situações da vida real.”
Um bom exemplo das proporções que uma fantasia pode alcançar é o episódio vivido por Dom Quixote, de Cervantes, quando, na ânsia de alcançar a fama, ele vê na simples poeira levantada pelo vento em uma planície, dois exércitos lutando entre si. Ele divide com seu fiel escudeiro Sancho a necessidade de ajudar o exército mais fraco, chega a inventar uma história que justificasse aquela batalha, descreve os escudos, as roupas e até dá nomes imaginários aos senhores que ali lutavam. Mas, ao se aproximarem, Sancho relata que, na realidade, a poeira era causada pelo movimento das ovelhas e seus balidos característicos. E mais nada.
Dom Quixote, vendo sua fantasia como algo real, responde ao seu escudeiro Sancho: “o medo que tens é que fez, Sancho, que não vejas, nem ouças, porque um dos efeitos do medo é turvar os sentidos.”
Esta é uma história hilária, mas outras fantasias, vividas por clientes e trabalhadas no consultório, geram efeitos angustiantes. Tenho uma cliente que, fantasiando a respeito do atraso do namorado ou pelo fato do carro dele não estar na garagem no horário habitual, chega a passar mal a ponto de ir parar no pronto socorro.
Os pais também costumam fantasiar e sofrem demais com isso. Outra cliente, que por conta da faculdade não mora com os seus pais, relatou-me que sua mãe, ao não conseguir falar pelo telefone com ela, deduziu que ela não estaria estudando, mas divertindo-se na noite. E como se tal fantasia fosse uma verdade incontestável, chamou a filha de irresponsável, agredindo-a verbalmente, sem ao menos saber quais as eram reais razões do ocorrido. Depois de muito estresse e desarmonia ela constata que a filha, na verdade, tinha ido ao enterro do pai de uma colega de classe e o seu celular estava sem bateria. Acredito que essa mãe tenha sofrido muito ao imaginar tudo isso e pude ver o quanto a filha também sofreu com a fantasia de sua mãe.
O trabalho da Gestalt-Terapia, nestes casos, conscientiza o cliente, trazendo a pessoa para o aqui e o agora, fazendo com que ele sinta suas sensações corporais e emocionais, diminuindo assim a velocidade dos pensamentos e possibilitando ao indivíduo distinguir entre o que é fantasia e o que é real. Desta maneira, a pessoa começa a vislumbrar as reais possibilidades de solução para o seu problema. Os problemas reais sempre têm solução. Os imaginários, por outro lado, são apenas uma forma de tortura mental.
A fantasia é necessária para trabalharmos o nosso imaginário e instigar a nossa criatividade. Todo ser humano precisa deste tipo de fantasia e tem capacidade para exercitá-la, possibilitando assim, o desenvolvimento do seu potencial em qualquer área do conhecimento e de atuação social. Ela também é usada como instrumento psicoterapêutico, para trabalhar os medos, inseguranças, auto-estima e outras questões. Com isso, podemos também recuperar partes importantes do nosso eu, que estão projetadas nas imagens que aparecem em nossas fantasias.
A fantasia indesejável e que exige a busca de tratamento adequado é aquela que ocupa o lugar da situação real, causando ansiedade e, na maioria das vezes, gerando sintomas físicos e até transtornos mentais, impedindo a pessoa de viver de uma maneira saudável.

“Se você aprender firmemente a distinção entre fantasia e realidade da sua experiência presente terá dado um grande passo no sentido de simplificar sua vida.” (J.O.Stevens)
 
 
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